+ João Braz de Aviz
Arcebispo Metropolitano de Brasília
Arcebispo Metropolitano de Brasília
Hoje a Igreja encerra mais uma etapa de sua caminhada terrestre, rumo à casa do Pai. Este é o último domingo do ano litúrgico. Os discípulos de Jesus voltam hoje seu olhar com toda a confiança para nosso Senhor Jesus Cristo, rei do universo, centro único de tudo o que existe e Senhor absoluto da história humana.
Nosso rei, o Filho de Deus, nós não o encontramos no interior de um rico palácio, em um trono de ouro. A Igreja no-lo apresenta no alto da cruz, zombado, caçoado, desacreditado, momentos antes de dar o último respiro. Este homem das dores é o Filho de Deus, condenado à morte por decisão do sinédrio judeu, por sentença do imperador de Roma na pessoa de Pilatos, mas, antes de tudo, por uma decisão misteriosa do Pai e por um ato de completa liberdade do próprio Filho.
Ser rei, no reino de Deus, é ser não aquele que ocupa o primeiro lugar, o que tem maior poder, mas na cruz Ele realiza o que ensinou no momento do lava pés, enquanto tomou uma bacia com água, cingiu-se com um avental e lavou os pés de seus discípulos. No alto da cruz este gesto chega ao seu ponto mais completo: tudo é entregue por amor.
Imersos na cultura humana atual é difícil para nós entender esta inversão de compreensão do que é o poder verdadeiro. São Dimas, o bom ladrão, alcançou esta sabedoria porque reconheceu sua condição de criminoso e percebeu a oferta de salvação que lhe estava sendo oferecida. Por isso, repreendeu seu colega de crime, com ele crucificado: “Para nós, é justo, porque estamos recebendo o que merecemos; mas ele não fez nada de mal. E acrescentou: “Jesus, lembra-te de mim, quando entrares no teu reinado”. Jesus lhe respondeu: “Em verdade eu te digo: ainda hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23,41-43).
O reino de Deus é um reino de justiça, de amor e de paz. Nosso Senhor Jesus Cristo, o rei do universo, nos abriu o caminho para realizá-lo desde agora e depois participar dele por toda a eternidade: acreditar no seu amor, viver o seu amor. Assim como Deus abaixou-se diante dos homens e mulheres, tornando-se o último deles na cruz, o reino de Deus nos pede que dobremos nossos joelhos diante do Senhor Jesus Cristo e, por causa dele, dobremos nossa vontade de poder diante dos irmãos e irmãs, para tornar possível o reino da fraternidade. Esta é a família humana que brota dos ensinamentos do evangelho e dos gestos concretos de Jesus. Não temamos a porta estreita que se nos apresenta, afim de que o reino de Deus torne a convivência humana um sonho realizado! Por acréscimo depois, teremos a eternidade de glória no seio do Pai.

JESUS QUÃO MARAVILHOSO ÉS tú...imcomparável
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